Qual a idade certa para começar a aprender outro idioma? Como escolher o método que mais se adequa ao perfil da criança? Rita Miranda, coordenadora da Escola Batista de Idiomas e do Programa Bilíngue da Rede Batista de Educação, explica que há várias razões para começar a estudar uma outra língua desde pequeno. “Entre elas, está o fato de que aprender uma segunda língua na mais tenra idade é cognitivamente tão fácil quanto aprender a primeira.”

Segundo a coordenadora, “na infância, nosso cérebro é um livro aberto, está pronto para aprender tudo a que for exposto, pois tem maior capacidade de atividade neuronal. Cada neurônio é capaz de fazer 15 mil sinapses. Na vida adulta, esse número cai para 7,5 mil, ou seja, o que se desenvolver na infância será mais provável de ser usado na juventude e vida adulta. Portanto, se a criança estiver em um ambiente que proporcione a aprendizagem de um outro idioma desde cedo, aprende de forma natural.”

Além disso, a criança tem maior acuidade auditiva, facilidade de perceber e distinguir sons muito próximos. “Ela aprende absorvendo sons, estruturas, entonação, padrões e regras intuitivamente, sem a necessidade de memorização de regras gramaticais.”

DIA A DIA

Rita Miranda ressalta que o melhor método para a educação bilíngue é aquele que expõe a criança a situações reais do seu dia a dia, que não considera o idioma como mera atividade curricular e proporciona interação. Ela garante que o brincar faz parte da vida da criança. “Essa é a forma que ela tem de se comunicar com o mundo. Por meio da interação com o ambiente e com o outro é que a criança aprende e se desenvolve. Se esse ambiente proporciona atividades lúdicas, a aprendizagem se dará de forma natural, com o desenvolvimento de habilidades sociais, linguísticas e cognitivas.”

TECNOLOGIA

Denise Maria Gaia de Souza, diretora pedagógica da Escola Galileo Galilei, explica que, com a tecnologia, as crianças têm noção da existência da língua inglesa como um idioma, por meio do qual é possível se comunicar. “E sabemos que, com o inglês, nos comunicamos em todo o mundo.”Ela ressalta que a exposição ao idioma desde cedo ajuda a despertar a musicabilidade, a sociabilidade, a articulação dos sons e a eloquência. “Essa experiência oferece mais abertura e disposição para o desenvolvimento de outras habilidades e talentos. No ensino do idioma, o objetivo é que a criança aprenda vocabulário e estruturas propostas, sabendo usá-las em contexto pertinente. A metodologia aplicada em sala de aula é lúdica, por meio de jogos, flashcards, estórias, desenhos, mímicas e atividades do material didático.”

AUTÔNOMOS

Ivana Gomes, diretora do Colégio Pitágoras Cidade Jardim, explica que a escola oferece o ensino bilíngue para os alunos do maternal 2 ao 5º ano do ensino fundamental. “O nosso objetivo é fazer com que os alunos adquiram as competências e habilidades necessárias para este século, tornando-os curiosos, solidários, autônomos, tecnológicos e, em especial, bilíngues. Os temas multidisciplinares são ministrados em inglês. Na educação infantil, 80% da carga horária é composta por aulas em inglês. Para o ensino fundamental 1, a carga horária é estendida até as 15h.”

A diretora ressalta que isso fortalece a capacidade intelectual, melhora o desempenho da leitura e da escrita em dois idiomas, capacidade de trabalho em grupo, concentração, organização e criatividade do aluno, respeitando ritmos e estilos de aprendizagem.

VEÍCULO: JORNAL ESTADO DE MINAS | DATA: 28/10/2018 | CADERNO: ESPECIAL EDUCAÇÃO

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