Não sem razão, somos bombardeados diariamente com notícias e informações sobre compliance. Mas há outra palavra que, infelizmente, reflete o maior pesadelo da humanidade: a corrupção. 

A corrupção que preocupa o brasileiro hoje não é a política ou pública, mas a privada, praticada em todos os setores da sociedade por homens ou mulheres, jovens ou idosos, casados ou solteiros, funcionários ou terceirizados, no ambiente profissional, acadêmico ou até mesmo familiar. 

Não se nega que a corrupção é deletéria, provocando efeitos nefastos na ordem econômica, jurídica e política da nação. Mais do que isso, ela causa um descompasso no mercado, afetando a livre concorrência e o ambiente de trabalho, pois acaba privilegiando o empresário mais ardiloso em prejuízo do mais competente, e o funcionário mais esperto em detrimento do honesto, que, por não utilizar atalhos, muitas vezes não atinge as metas estabelecidas. 

No entanto, o que é mais importante nesse novo ambiente empresarial: o fazer ou o como fazer? Uma pesquisa realizada pela Deloitte, em 2014, demonstrou que, dos 300 executivos entrevistados, 87% consideram o risco reputacional mais relevante do que qualquer outro risco, inclusive o estratégico. 

Diante desse cenário, que todos conhecemos e no qual vivemos, já se estabeleceu a conclusão de que a corrupção não é salutar e que precisamos mudar. É preciso construir um ambiente ético no qual se presumem boa-fé e honestidade, erradicando as condutas corruptas e fraudulentas que só prejudicam a cidadania. Cada ser humano deve ser um difusor de bons exemplos e de práticas de compliance. 

Mas como podemos atingir esse objetivo? Será difícil? Sim, mas medidas voltadas à educação e à obtenção de valores éticos podem fazer com que nosso país elimine toda essa cultura patrimonialista e do encardido jeitinho, aplicando o compliance e a integridade em todos os setores em que vivemos. E, como já nos ensinaram Clóvis Barros Filho e Sérgio Praça, precisamos, o quanto antes, substituir a primeira pessoa do singular pela primeira pessoa do plural.

Bruno Torchia 

Advogado, professor de Direito Penal da Faculdade Batista de Minas Gerais e mestre em Direito Público

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